domingo, 7 de março de 2010

MULHER


Meu carinho a todas as mulheres ,anônimas ou não, que fizeram ou ainda fazem do mundo um lugar melhor para se viver.



Mulher,

Tens sete sentidos

São sete chaves do poder...


Mulher,

Mística flor,pétala serena

Seiva suave de uma árvore suprema

Indecifravel mulher...


Força felina e manhosa

Mulher frágil e poderosa,

Sobretudo mulher...



Um sopro de vida no mundo

Alma do sonho e da dor

És assim quase perfeita:


Perfeita dádiva do Criador!


(Edilene Santos- Caçando Estrelas-Ed.Nativa)



sábado, 16 de janeiro de 2010

Meninas


Menina magra de olhos fundos
Sem sol,sem fé, sem futuro
De seios e nádegas e asco e cheiro vagabundo
Menina de um vazio profundo...

Um oco no ego e no estômago
Alimentando a luxúria esdrúxula
Menina sem fada,nem estórias, nem bruxa:

Só monstros e prisões banhadas
Do choro infantil que já nem sai

Só um dia a mais de sobrevivência
Da vida que de vida não possui nada

É século vinte!
Salvem as meninas exploradas...
Edilene Santos (Caçando estrelas-2001)

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Rimas incertas


Preciso de um pensador
que me ajude a entender de dor
de sonho ,esperança e vida.

Preciso de um pensador
que me ajude a encontrar
uma perdida ilusão
já dormente e esquecida.

No fundo da mente onde nada sinto
apenas choro,e oro
ora no passado,ora no futuro,
presente se esvaindo
virtualmente distorcido
fingido...

Preciso de um pensador
que me ajude a desvendar o mistério
da mente e do coração em duelo
da antítese do que sou e do que quero
do meu ridículo poema sincero.

Preciso de um pensador:
que clareie,à luz da simplicidade
tudo que já sei mas não tenho coragem
que tansforme as rimas tolas em versos
que corra os riscos por mim
que nunca atire a primeira pedra
que resolva e não explique
que ame e não me critique

Um bobo,palhaço,criança:

que saiba sorrir
que ouse partir
e navegar
que saiba esperar
que venha,enfim

Preciso de um pensador
preciso de um lider
preciso de mim...

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Primavera

É primavera
Tempo de flores
Num templo de amores
Perdidos e achados
Sempre semeados
Pelo vento que passa
Insistindo em ficar...

Sou feliz como o sol
A flor e a brisa
Que esta estação eterniza
Quando se pode amar...
Guarde ao menos meu perfume
Porque morro de ciúme
Se a primavera passar.

Abra os braços e corra
Sinta a vida e me espere
Que eu chego já
De sorriso novo
E um vestido aberto
Desabrochando em cores
Pra te encantar...

(Edilene Santos-Caçando estrelas)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Encerrando a gosto


Chora o mundo todo lá fora
Desaba a tempestade
Que o amor calou em mim.

Chora e eu choro e ouço a chuva
Desilusão e dor sem fim.

Folhas,galhos,flores na enchurrada
Pelas ruas,pela escada,
E na vidraça o meu jardim

Sorri encabulado e entristecido
Por amar e se entregar á chuva assim...

Chora a tempestade lá fora
Desaba o mundo,deságua
Toda a mágoa cabe em mim.

Eu aqui sozinha meditando
Mil porquês tamborilando
No telhado envelhecido

E na estampa do vestido
Que das lágrimas vão brotando.

Chove e não é dia de ouvir Bethânia
Bethoveen não vai ao piano
Melhor adiar qualquer plano.

Já rezei,chorei,blasfemei
Quis jogar tudo pela janela
Tentei me convencer,
entender,superar,não dá:

Chove e eu só preciso acreditar.

Se a vida me botou num labirinto
Num jogo sem saída,
Numa brincadeira de mau gosto.

Vou me despir de toda loucura
Me despojar de qualquer usura
Encerrar o mês de agosto.

Deixo os bens,a casa, os móveis
Os retratos,cartas,lembranças,
levo comigo somente as crianças
meus tesouros mais sinceros.

Vou de barco,navio,bicicleta
Deixe sempre uma porta aberta
Na primavera hei de renascer.

Chove manso,devagar agora...
No suspiro doce de meu ser
Pode desabar o mundo lá fora

Na primavera estarei com você...

sábado, 5 de setembro de 2009

Os anjos da vida


Esse poema (bem simples) sempre me trouxe grandes alegrias.

Talvez porque ele seja fruto de uma criança que insista em brilhar dentro de mim, talvez porque com ele eu tenha colhido os mais deliciosos sorrisos de outras crianças.


Certa vez,fazendo uma oficina poética (se é que poesia é coisa de oficineiro),perguntei a todos como seria um alameda dos sonhos,considerando que antes eles haviam definido alameda como rua.


Pensaram,pensaram e diziam só coisas meio óbvias como uma rua bonita,uma rua florida,etc...


Até que para instigá-los eu disse:Vamos lá, gente é a rua dos seus sonhos!


Então uma menina lá no fundo,cujo rostinho eu nem conseguia ver na sala lotada disse:ah...a minha teria um chafariz de pipoca!


Isso mesmo eu disse,diante do riso geral.E a onda que se espalhou a seguir me emocionou:


Chafariz de chocolate!Escorregador de chocolate!Poste de sorvete!Anjo,estrela,bala,fadas...


Foi uma tarde linda e a poesia invadiu o coração de todos.No final eu ganhei vários versinhos,beijos e abraços,enquanto distribuia balas e poemas (tirados da caixinha prateada que sempre colocava em cima da mesa).

Acho que eles entenderam que a poesia não está na construção de palavras, mas na nossa maneira de ver o mundo.
E eu,como sempre,voltei pra casa feliz e me sentindo abençoada em partilhar alguma coisa com esses anjinhos que tem tanta doçura e tanto a nos ensinar...


Um anjo


Um anjo subia pela alameda dos sonhos

Levava uma estrela

E uma caixinha de surpresas.


De repente ele viu

Um menino tristonho

Bateu asas e surgiu

Um acalanto pro seu sono.


Dentro da noite estrelada

Anjo e menino se abraçaram

E a caixinha foi deixada.


Estava cheia de sonhos

E de estrelas prateadas

Cheia de surpresas coloridas

E alegrias imaginadas.


Pela manhã o menino risonho

Abriu a janela de mansinho

E jura ter visto através do sol

Seu anjo virar passarinho.


(Edilene Santos-Caçando Estrelas)













quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Sentido único


Faixas faróis e placas

Que orientam

Como regras sensatas

Que a sociedade inventa.


Toda escolha implica

Em perder ou ganhar

Toda estrada a gente pega

E nunca sabe onde vai dar...


A sociedade de regras e placas e fumaças

Esquadra e enquadra a vida

Que escapole sempre de alguma forma

Como água que não quer ser contida.


Pelas avenidas de asfalto cinzento

Trafegam paixões e sentimento

Na cidade invisível das almas

Que lutam contra o cimento...
(Edilene Santos)








Mulher

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