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sexta-feira, 17 de julho de 2009



PERNAS INQUIETAS

OLHOS DE LUZ



BOCA ENTREABERTA


DESLIZA PARA O MEIO DO SER


LAGO DE CHEIROS E DE CHAMAS


ENROSCA , CORRE


ESCORRE E TROCA


SUFOCA , SOLTA


TRAQUEJO CONFUSO BEIJO OFEGANTE


ALTERA OS PLANETAS


ACORDA OS VIZINHOS


TÃO FARTO


TÃO GOZO



TÃO NOSSO DE CADA DIA


NOS DAI HOJE !



AMÉM!






(Daniel Alexandrino)

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Saudade















A saudade é a cortina improvisada

com um cobertor azul
só pra sentir o suor do teu corpo
sob o baque solto
do meu maracatú
Daniel Alexandrino

terça-feira, 14 de julho de 2009

Campos


Quisera eu saber das estrelas
E dos estranhos segredos humanos
No acalentar da esperança,semear amor.


Quisera eu recolher dos campos
Os girassóis e as ovelhas
E transformar os medos em pântanos
Inundando as sementes da dor.


Quisera eu conhecer os mantos
Que se estendem sobre as coisas inexplicáveis,
E tecem no coração humano a imperfeição.


Mesmo diante da natureza gloriosa
Que uma estrela pra ele plantou,
Mesmo diante do perfume da rosa


Que ciência nenhuma explicou...


(Edilene Santos-Caçando Estrelas)

sábado, 11 de julho de 2009

Cochilo de menino



Caixinha de sonho

Música de embalo

Rede na varanda

Tosquenejo de estalo

Cochichos de grilo

Cantares de galo

Carneiro tosqueado

Bocejos de anjos

Sabiá no galho...

Caixinha embalada

De notas e sonhos

Guarde os meus tesouros

Que amanhã apanho.

Estalos de rede

Varanda tosqueneja

Cantam alguns grilos

Já cochilam galos...

No canto da boca

Um gosto de amora

Conta não pro pai

Que ocê também namora...

Corridas nas campinas

Fogem lentamente

Flores e meninas

Acenam docemente...

Galo de campina

Crina de cavalo,

Cavalo do campo

Pastagem e milharal

Tudo repousando

Roupa no varal...

Balouçando leve

Ao som do fim de tarde

Lembranças da fogueira

Que inté agora arde...

Bodoque e vagalume

E o doce negrume

De uma noite quente...

Pés no ribeirão

Cabeça nas nuvens

Nuvem travesseiro

Reprisa o dia inteiro:

música

sonho

carneiro

boca

menina

amora

varanda

cochilo

bodoque

travesseiro

travesseiro

travesseiro...

(Edilene Santos)

*foto by Neiva Passuelo-série meninos

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Sujeito

Poema de um guerreiro do bem, futuro professor, poeta, lá do sarau da Ademar: o meu amigo Dongo!

Sujeito

Tantas vezes a vida chama à guerra
ao trabalho, o sustento encerra
E íamos, dessa maneira sem saber o quê
transforma a esperança numa noite fria.

E os anos que entreguei
agora retrospecto, chorei
Porque o tempo mata a vida,
agente mata o tempo
e a morte de uns,
mata agente de sofrimento.

Numa dança de liberdade estranha
Na maioria das vezes, fanha
Lembra que é passagem
Nunca real
Quando lembrança, vira miragem.

Então, tudo que se perde
se encontra de outro jeito
Sob nova luz,sobre um novo sujeito
Percebo que o cativeiro não acabou
Escravo ainda sou
Do chicote ao salário
Do capataz ao gerente
Antes escravo, hoje operário,
trabalhador, secretário.

Antes feridas de açoite
Hoje doença de postura, LER, tendinite
Stress, cirrose, gastrite

Do ciclo da cana, destruição do solo
E a ditadura do petróleo massacra os povos
Destrói vil o planeta
Mundo para carros,para os homens: sarjeta
Antes colônia,
Hoje colônia.

Da Cupecê a Wall Street
Assim nos guiam sangrando
Na ironia de que ainda somos cativos.

Neste mundo imprestável digo
A história se repete
De donos e escravos
patrões e empregados
De grilhões e algemas
De vida e morte
De achar que a solução é individual
Ou que ela está na sorte
Se o cativeiro nos faz latente
Em nossa face nos vem a história
De uma Palmares livre,
resistência, apogeu e glória
Exemplo que se ergue
Trajetória que se segue
Da luta que se trava
A vitória que se consegue.

(Cláudio Zamboni-Dongo)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Poema para Ruth



Ruth é planta,flor,perfume
tão entranhada na natureza
que a gente até sente ciúme.

Ruth com prazer pegaria
a casca dourada dos dias
pra fazer artesanato.

Juntava as raízes,os cipós e os gatos
levava os amores,frutos e cores
pra morar no meio do mato.


Por dentro ela é guerreira
por fora é toda festa
Com seus meneios de santa
e sua fala modesta.

Mãe,sábia,sacerdotiza
sabe tudo e ri do mundo
e a gente brinca:ela não presta!

Raio,União,Tesão,Hombridade
a ruth é a Ruth
qual a novidade?
Ruth é planta,flor,perfume
tão entranhada na natureza
que a gente até sente ciúme...

Cachoeira de emoção
Corrente de água marinha
queda dágua,turbilhão.

Claras águas de ribeirão
Concha,mar,areia
Ruth mulher,Ruth sereia.

Sossega teu coração
que até o dente de leão
desabrocha ante teu olhar.

Sossega teu coração
até mãe terra
vem te amparar...

Tua casa,teu reino,

teu canto de enamorar
Tem o selo da alegria
proteção de Iemanjá.

Tuas mãos tem parceria
produzem ervas e magia
e doçuras pra quem chegar...

(Edilene Santos)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Bar e poesia


No princípio eram apenas bares comuns...até que um dia...ou melhor, numa noite; dessas noites especiais em que notívagos,vagabundos, poetas e loucos, contemplam estrelas e sonham com a ínfima possibilidade de magia e transformação;ela surgiu:


Veio com seu gingado de samba

com um jeito leve e travesso

atravessou a rua e adentrou o bar.

Sem fita...sem pompa...

Foi logo descendo do salto,

dispensando seus arautos...


Andava meio entediada

de bailar pelos salões antigos,

de viver eternamente de castigo

nos museus e relíquias do passado...


Ela, a flor mais bela

a deusa,a musa,a mulher

chamem-na como quiser:

A Poesia em carne e osso!


Brincou com os copos

acendeu um cigarro

Roubou um sorriso

deu mais um trago.


Ganhou os meninos do rap

do rock,do pop, do soul

ganhou beijos e afagos

chorou com gosto amargo

gostou dos aplauso...e ficou...


E gostou de ser humana

e de ouvir das bocas simples

histórias dos becos e das quebradas

de vilas,de maravilhas

de gente apaixonada...


Desde então ela passeia

sem cerimônia alguma

pelas noites paulistanas.


Não tentem aprisioná-la:

ela é senhora

e soberana.


Não pertence a ninguém

não se dobra, não se vende

mas se rende faceira

a todo aquele que queira

sonhar com um mundo melhor.


De palavras e atitudes

de poetas e alaúdes

De riso e choro em prol do amor...



(Edilene Santos)


*Minha homenagem e gratidão a todos os que amam,divulgam e promovem a Poesia.