terça-feira, 25 de agosto de 2009

Em suspenso




Ter a vida em suspenso
um quase nada
beira do abismo
encruzilhada...


Ter a vida em suspenso
fragilidade e tensão
os dados na mesa
sem cartas nas mãos.


Ter a vida em suspenso
suspiro congelado
desespero mascarado
pensamentos a rondar:


Sou tão pouco
um quase nada
diante da vida
de sentença anunciada...


É abrir os braços
e esperar o vento
rezar baixinho
num fio de voz.


Esperar em Deus
que se vá o tormento
E se houver algum sol
que ele brilhe por nós...
(Edilene Santos)




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Uma tarde muito especial

(Fábio Lisboa,Marcelino Freire,Lidiane Oliveira,Rui Mascarenhas,Edilene Santos,Marcelo Nocelli)

Jovens da UI Paulista mostram talento e surpreendem poetasPor Assessoria de Imprensa, em 21/08/09 19:21

“Convive com teus poemas, antes de escrevê-los”. O verso do poema de Carlos Drummond de Andrade foi materializado pelos adolescentes da Unidade de Internação Paulista. Os jovens levaram ao pé da letra a sugestão do poeta e colocaram no papel ideias e experiências, e trouxeram à tona a suas concepções de mundo. O resultado pôde ser visto em Sarau, realizado na unidade nesta sexta-feira (21 de agosto).

Com versos sensíveis, porém fortes, os adolescentes penetraram “surdamente no reino das palavras” e conseguiram tirá-las do estado de dicionário. Eles deram sentido a cada vírgula e ponto e mostraram aos poetas Marcelino Freire, Marcelo Nocelli, Fábio Lisboa, Edilene Santos e Lidiane Oliveira as referências que os levaram a escrever.

Os poetas estiveram na unidade para ler seus contos, poesias e contar histórias, mas, além disso, esperavam poder trocar experiências ao ouvir o que os jovens escreveram. O que eles não esperavam eram ver exemplos de superação e muito talento.


O sarau foi resultado de um trabalho que começou durante as férias de inverno dos adolescentes. Naquele mês, os jovens foram inseridos no projeto PraLer, de estímulo à leitura, da Organização Poeisis Social de Cultura, da Secretaria da Cultura do Estado. Por meio do projeto, a biblioteca da unidade foi organizada e uma oficina de escrita, realizada. “O sarau é resultado dessas atividades”, explica o coordenador do PraLer, Rui Mascarenhas.

No início, ainda acanhados, os jovens apenas ouviram a letra forte da música do grupo Teatro Mágico, “Senhoras e Senhores”, falada por Lidiane Oliveira. Em seguida, começaram a se soltar um pouco, quando Fabio Lisboa contou a eles a história de um homem que ao virar juiz não sabia a quem dar razão, pois, para ele, todos a tinham.

Edilene Santos encantou ao recitar o poema, de seu livro "Caçando Estrelas".
Mascarenhas, com voz forte, interpretou outro verso, que fez os jovens se soltarem de vez. Mas foi quando Marcelo Nocelli leu um conto seu, em que fala da primeira vez que pisou na paulicéia desvairada, é que os jovens se sentiram seguros para mostrar o que tinham no papel.

Marcelino Freire, poeta premiado - ganhador do prêmio Jabuti de Literatura em 2006 por “Contos Negreiros” e indicado para o mesmo prêmio, deste ano, por “Rasif” – leria um conto seu, mas se surpreendeu com o acervo da biblioteca da unidade, onde achou um livro de Patativa do Assaré, e leu um dos poemas do poeta cearense.

A hora e a vez deles
Depois da rodada dos poetas, foi a vez dos adolescentes lerem o que escreveram. A expectativa e ansiedade estavam presentes. Demorou menos de um minuto para o primeiro jovem se levantar, apresentar-se aos demais, e bradar o que tinha escrito. As palavras, um pouco acanhadas, faziam referências a Martin Luther King, Ernesto Che Guevara, Gandhi, Nelson Mandela, Bob Marley e Zumbi, o que deixou os poetas impressionados. “É um poeta pronto”, afirmou Freire.

No entanto, nada os surpreendeu mais que a fala de um dos jovens. Ele não escreve poemas – “não levo jeito pra isso”, disse -, mas leu. A surpresa neste fato é que ele, como muitos adolescentes que entram na Fundação CASA, não sabia escrever, quanto mais ler. Foi na unidade, com auxílio dos educadores, que o jovem descobriu as palavras.

Incentivado pelos colegas, o adolescente não leu apenas um poema, mas três. E a cada palavra, pronunciadas ainda com certo esforço, ele sorria, como quem sabe a importância de cada sílaba. A fala ainda truncada rendeu aplausos de todos e lágrimas dos educadores. “Que exemplo de persistência”, maravilhou-se Marcelino Freire, que doou livros para o acervo da unidade.

Para Mascarenhas, o resultado do encontro superou as expectativas. Ele afirma que a literatura e a poesia têm o poder sim de transformar e deixou um recado àqueles que ainda se sentem retraídos para escrever ou fazer qualquer coisa que seja. “Nada está lá fora, tudo está dentro de nós. A gente não encontra paz em lugar algum, quando não encontramos paz em nós mesmos”. Se a ideia era deixar uma semente, pode-se dizer que a poesia já fez crescer uma muda.

(Texto extraído do blog da unidade paulista)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

É bonito
grande
infinito
profundo
É a porta do mundo
ecoando meu tempo.
Lento
um sopro
varre o vento
uma paixão
outro tormento:

coração galinha
coração jumento...

(Daniel Alexandrino)

domingo, 9 de agosto de 2009

Ser Pai




Ser pai é ter a humildade de ser coadjuvante numa peça em que o novo astro ou estrela, vai depender muito de seu talento e experiência.


É acompanhar com encantamento e enlevo o novo artista, mesmo quando ele parece roubar a cena, o tempo e o coração de sua amada.


Às vezes é resgatar de um outro projeto e adotar essa criaturinha para atuar ao seu lado,sem fazer distinção qualquer quanto ao curriculum ou a companhia de onde ela possa ter vindo.


É perder o sono, fazer planos, enxergar-se nos traços, nos abraços, nas piruetas e trapalhadas...


É rir e se emocionar diante da possibilidade de resgatar em si mesmo o menino quase esquecido diante dos dramas da vida, para voltar a ser criança. Bancar o pirata,o herói,o palhaço, o dragão.Fazer cara feia, rindo por dentro, da esperteza de seu pupilo.


É vê-lo crescer, ganhar o mundo, ampará-lo sem podar sua iniciativa.Educá-lo e transmitir seus valores sem impedir que ele agregue novos valores e conceitos ao seu próprio roteiro.


É ter medo demonstrando coragem...


É ter coragem para admitir erros e falhas. Ter bondade e amor para suplantar as possíveis decepções. Aceitação...


Ser pai é assumir um papel importantíssimo.É formar novos atores para recriar o teatro da vida.


Sempre dá certo e a única receita plausível é trabalho e amor! De preferência muito amor.


E quanto a nós filhos resta abraçar,agradecer e dizer: obrigada pai!Eu amo você!
*(foto do meu pai com o netinho Fê.Lindos!!!)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

PERFUME



Fosse nosso amor um perfume
Traria notas acentuadas de ciúme
Sobre um fundo amadeirado de nostalgia.

Fosse nosso amor um perfume
Diáfano,leve,estonteante
Dia a dia eu o usaria...

Traria o lancinante som de um sax
A angústia de um piano noturno
A orquestra das flores e meteoritos
O cheiro das dálias e antúrios.

Uma mistura de pureza e doçura
Um toque de feitiçaria.

Fosse nosso amor um perfume
Com sorte me sufocaria...