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quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"...por detrás da política, por detrás da autoridade, por detrás do Estado, por detrás das instituições, por detrás de tudo quanto existe de mais sólido, honesto e nobre, alojam-se a força e o medo. Percebo que as instituições são a energia congelada, são sonhos ensanguentados, e que a ideologia é sempre ameaça de morte."

FRANCESCO ALBERONI, As Nascentes dos Sonhos



Para que a sociedade patriarcal se pudesse estabelecer e dominar a Terra, a energia feminina foi sujeita a um branqueamento total o que levou a mulher a permanecer durante milénios numa posição subalterna do homem. A força feminina e a força da mulher foram suprimidas assim como a compreensão da sexualidade como energia livre e sagrada, que foram denegridas, consideradas maléficas e "sujas" pelas Igrejas e pelos padres. As mulheres foram desde então perseguidas por possuirem (ou serem possessas) esses poderes maléficos - a força da energia sexual e do sentimento que nos libertava - e queimadas vivas nas fogueiras aos milhares.
Eram perseguidas as mulheres que ajudavam outras mulheres como parteiras, as curandeiras, as mulheres livres que não se submetiam à vontade dos patriarcas, pais, padres e bispos e as mais jovens ou mais belas que eram consideradas uma ameaça ou um perigo para os devotos do deus misógino e temidas pelos “castos” padres!

Para podermos perceber em que medida o medo ainda persiste das e nas mulheres, olhemos o seu servilismo e a obediência cega à igreja e aos seus chefes. Basta também ver o ódio que os homens manifestam às mulheres quer na violência doméstica, quer nos crimes ditos passionais, nos filmes que propagam essa violência e sadismo sobre as mulheres; e não precisamos de recuar muito para ver essa misoginia nos ministros do Estado. Basta olhar ainda para o que foi Ministro dos Mares português, um herói nacional, que pensa como os padres, misógino por natureza, de perfil medieval - casto e cínico - e espírito bélico que não hesitou em enviar dois barcos de guerra "contra" um pequeno barco de um grupo de médicas e mulheres holandesas, em pleno século XXI, assim como a carta do agora papa aos Bispos quando era Cardeal, em que acusava as feministas de destruir as famílias...
Portanto eu não estou a exagerar nem desfasada do tempo!
Tudo continua na mesma…e o perigo ronda sempre, na hipocrisia dos governos e dos seus líderes e a guerra tácita e surda contra as mulheres em todo mundo...

http://rosaleonor.blogspot.com/2009_09_01_archive.html

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